Publicado segunda, 25 de maio de 2026

O câncer de pênis é responsável por mais de 2,2 mil internações por ano no Brasil, segundo a Sociedade Brasileira de Urologia (SBU), e está associado a cerca de 600 amputações anuais, preocupando profissionais da área da saúde. Apesar da gravidade, medidas simples adotadas diariamente, como a higienização adequada, ajudam a prevenir a neoplasia.
O urologista Davi Voller Seishum Abe afirma, em artigo, que os cuidados com a higiene íntima masculina são imprescindíveis, mas muitas vezes ignorados por parte dos homens. “Primeiramente, é preciso saber que, apesar da comodidade de poder urinar em pé, recomenda-se lavar as mãos antes de segurar o pênis. Isso ajuda a prevenir infecções.”
Ele destaca que “o uso do papel higiênico não é opcional” e, em seguida, explica que “secar o pênis após a micção evita que o órgão fique suscetível à proliferação de fungos”. Abe acrescenta que esse cuidado pode prevenir desde o mau odor na região genital até a ocorrência de infecções por fungos e bactérias, sendo também a principal forma de reduzir o risco de câncer de pênis.
No perfil oficial da SBU nas redes sociais, o urologista Nalisson Marques Pereira também chama atenção para esse cuidado. Ele informa que, quando a higiene do pênis não é realizada corretamente, ocorre o acúmulo de esmegma, secreção esbranquiçada formada por restos de células, suor e oleosidade.
“Essa secreção em excesso pode causar mau cheiro, coceira, irritação, infecções bacterianas e fúngicas e inflamações. Ela aumenta o risco de doenças sexualmente transmissíveis e, quando essas inflamações ficam por um longo período, podem gerar o câncer de pênis”, explica.
O médico orienta que é importante buscar avaliação especializada sempre que houver dor, ardência ao urinar, coceira persistente, vermelhidão ou surgimento de feridas e verrugas na região genital. Entender quando procurar um urologista é fundamental para o diagnóstico precoce de doenças que afetam o trato genital e urinário.
Diagnóstico, sintomas e fatores de risco do câncer de pênis
De acordo com o Ministério da Saúde, o diagnóstico do câncer de pênis é realizado, principalmente, por meio de biópsia incisional, com retirada de fragmento de lesão suspeita para análise laboratorial. O exame permite diferenciar alterações malignas de lesões benignas ou pré-cancerosas. Quando identificado em estágio inicial, o tumor apresenta altas taxas de cura.
Se houver suspeita de comprometimento do trato urinário, pode ser solicitada a citologia urinária, que consiste na análise microscópica da urina para identificar células anormais. A diferença entre biópsia e citologia está no tipo de material analisado. A citologia avalia células isoladas e costuma ser menos invasiva, sendo útil para triagem e investigação inicial. Já a biópsia envolve a retirada de tecido, o que possibilita exame mais detalhado da arquitetura celular e confirmação diagnóstica.
O Ministério da Saúde informa que mais da metade dos pacientes demoram até um ano após o surgimento das primeiras lesões para buscar atendimento. Esse atraso pode permitir a progressão da doença para outras partes do corpo.
A SBU destaca que a maior incidência ocorre em homens acima dos 50 anos, embora casos também sejam registrados em faixas etárias mais jovens. Entre os sinais mais comuns da doença estão ferida que não cicatriza, secreção com odor intenso, sangramento sob o prepúcio, espessamento ou alteração de cor na pele da glande e nódulos na região da virilha.
Entre os principais fatores de riscos associados ao desenvolvimento do câncer de pênis, conforme a SBU, estão condições socioeconômicas desfavoráveis, higiene inadequada da região íntima, infecção pelo HPV e tabagismo. Também é citada a fimose, considerando que a dificuldade de retração do prepúcio pode comprometer a limpeza adequada e favorecer o acúmulo de secreções.
Como fazer a higienização correta do pênis?
Segundo Pereira, a limpeza do pênis deve ser realizada diariamente, principalmente durante o banho. O procedimento inclui retrair o prepúcio para expor completamente a glande e lavar a região com água e sabão com o PH neutro. “Deve-se evitar usar sabonetes com glicerina ou com corantes, porque eles podem apresentar uma alteração da acidez no local”, alerta.
É importante remover toda a secreção esbranquiçada, enxaguar bem e realocar o prepúcio para cobrir novamente a glande. Também é preciso evitar esfregar com força, assim como evitar deixar a umidade no local.
Além disso, o médico reforça a importância de remover o excesso de sêmen após relação sexual ou masturbação, lavando também com água e sabão. “A higiene íntima não é uma bobagem. Ela é prevenção, ela é saúde e pode literalmente salvar vidas”, conclui.