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ISOLAMENTO SOCIAL CAUSA DANOS COGNITIVOS E AFETIVOS EM CRIANÇAS E ADOLESCENTES

Publicado sexta, 04 de setembro de 2020





Psicopedagoga alerta para efeitos negativos da falta de convivência entre estudantes no ambiente escolar

Os meses de isolamento social têm tido impacto psicológico significativo em crianças e adolescentes. No momento da retomada, escolas, pais e educadores devem se preocupar com a acolhida e com a troca de experiências entre os estudantes, sempre respeitando os protocolos de segurança e distanciamento. A psicopedagoga Fernanda Sobreira, que atua no programa EuSaúde Educação, explica que a falta de convivência com crianças da mesma faixa etária e a ausência da rotina proporcionada pelo ambiente escolar geram insegurança para os estudantes mais jovens.

 

“Crianças aprendem a partir do convívio com os seus pares, com outras crianças. Tirá-las do convívio por tanto tempo vem resultando em um retrocesso cognitivo e afetivo. Elas estão apresentando dificuldade de concentração, ansiedade, tristeza, inquietação, comportamento agressivo e aumento da dependência.  Isso é devido à falta de convivência com os demais e da rotina que a escola proporciona”, continua Sobreira.

 

No caso dos adolescentes, a especialista explica que nessa faixa-etária a relação com o meio e com o próximo é muito importante. É quando são desenvolvidas competências essenciais em sua formação como um ser social. Os meses de isolamento vêm resultando, inclusive, em uma notável insegurança com relação ao futuro por parte desses jovens, além de apresentarem sintomas de ansiedade, falta de concentração e retrocesso cognitivo.

 

A servidora pública Fernanda Barbosa tem duas filhas, de 15 e 6 anos de idade, e relata que no início do isolamento, sem as aulas on-line, a rotina foi completamente deixada de lado pela família. “O primeiro mês foi como se fosse férias, só quando a escola disponibilizou as aulas à distância é que nós conseguimos nos ajustar a uma nova rotina”, explica.

 

Quanto à adaptação das meninas, a mãe explica que a caçula se adaptou melhor ao novo formato de ensino. “Desde o começo das aulas à distância, ela tem se adaptado muito bem, apesar de nos últimos dois meses ter dito algumas vezes que sente falta da professora, com quem ela não pôde conviver durante o ano. Recentemente ela quis assistir à aula vestida com o uniforme”, relata Fernanda, que já teve que ouvir da filha mais nova: “mamãe esse ano não valeu, eu perdi a tia Cris”, referindo-se à professora com quem não pôde conviver nos últimos meses.

 

Enquanto isso, a filha adolescente teve mais dificuldade de se adaptar ao ensino à distância e tem mostrado problemas para conviver com o isolamento social. “No começo eu notei que ela estava se esforçando para se adaptar ao novo formato das aulas, mas hoje vejo que ela está desestimulada e a distância do circulo social a tem afetado cada vez mais. Chegamos a nos preocupar até mesmo com uma possível depressão”, conta.

 

De acordo com a psicopedagoga Fernanda Sobreira, num eventual retorno das aulas presenciais, é esperado que todos estejam fragilizados e inseguros, por isso a escola deve se preocupar com a acolhida de estudantes e profissionais. “Todos precisarão também se reorganizar em termos afetivos”, explica. “É momento de acolher, de contar histórias e partilhar vivências”. A especialista defende ainda que é necessário um diagnóstico bem amplo para ajustar o currículo e um novo planejamento para a implantação de protocolos de segurança – como a questão da inibição do contato físico, tão usado nessas duas faixas etárias. Destaca ainda a importância da relação entre família e escola nesse momento. “A parceria entre família e escola deve ocorrer com muita clareza e comprometimento de ambas as partes”, continua.

 

Quanto à aplicação dos novos protocolos na rotina escolar, Sobreira explica que é necessário diálogo com os alunos. “As pessoas subestimam a capacidade de crianças e adolescentes de lidar com regras. No caso da criança é ainda mais fácil, porque ela reproduz o conhecimento ao pé da letra. Elas têm a capacidade de educar os adultos, pois crianças, quando aprendem, partilham os hábitos com a família”, finaliza.




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