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O LEONARDO DA FÉ

Publicado sexta, 18 de setembro de 2020





“Eu sou comunista na linha dos Atos dos Apóstolos, capítulo 2, onde se diz que os cristãos colocavam tudo em comum, e como louvor dessa comunidade se diz que não havia pobres entre eles. Essa era a Igreja primitiva. Nós nunca devemos nos esquecer que as nossas origens são do comunismo originário, onde se colocava tudo em comum, tudo era repartido e não havia pobreza. Nesse sentido eu sou comunista. Agora, comunista no sentido de uma ideologia elaborada por Marx e Engels, aí eu me distancio. Eu não sou comunista. Eu sou cristão. E a partir da fé cristã Jesus disse ‘felizes vocês pobres’, e também ‘ai de vocês ricos.’ E Jesus agiu de forma libertadora!”

Leonardo Boff

 

A frase acima é um trechinho da entrevista que Leonardo Boff cedeu ao programa Brasil com Ciência, para deixar claro, quem sabe de uma vez por todas, que ele nunca se tornou aquilo que sempre foi acusado de ser.

Leonardo não nega que a Igreja Católica Apostólica Romana mantenha suas obras de misericórdia, que faz sim muita caridade em todo o planeta. Mas ainda faz de modo fragmentado, preservando um poder hierárquico ocupado por reis e príncipes viciados em ostentação e luxúria, contradizendo o que prega a própria doutrina da Igreja, uma doutrina que considera pecado tais práticas. Leonardo critica a retórica pastoral eclesiástica, cheia de ritos e teatralizações, porém sem presença concreta e direta da maioria dos bispos junto da comunidade espezinhada. Os próprios cardeais sempre tiveram grande receio de deixar os muros do Vaticano. Quem propôs aos cardeais deixar os muros do Vaticano e ir de encontro ao povo, foi o Papa João Paulo I. Dois dias depois apareceu morto. Em nossos dias, o Papa Francisco tem pedido o mesmo, e está sendo duramente criticado pelos cardeais acostumados ao luxo.

Quando Leonardo Boff foi repreendido pelo então cardeal Joseph Ratzinger (o que se tornaria futuramente o Papa Bento XVI), pedindo-lhe explicações sobre a sua Teologia da Libertação, Boff disse que convidou Ratzinger a elaborar textos críticos a partir da periferia, da convivência com os mais pobres, com os oprimidos, com os esquecidos, com aquelas pessoas consideradas escória da humanidade. Ratzinger não quis, alegando não poder sair de Roma.

Então, a observação de Boff foi a seguinte: a Igreja ajuda as pessoas, mas na maioria das vezes as mantém na pobreza. E isso tem nome: assistencialismo.

Leonardo quis dar um passo além: Fazer com que o pobre fosse emancipado, que descobrisse um potencial, uma força dentro de si capaz de alçar voos como as águias, utilizando aqui uma descrição do profeta Isaías, e também uma explanação que deu título a um de seus livros, A Águia e a Galinha – uma metáfora da condição humana.

Evidentemente quando se mexe na alta hierarquia, nas estruturas rígidas de poder, no desmanche da alienada, lucrativa e supersticiosa massa de manobra, a guerra é declarada.

No passado, Leonardo Boff foi “gentilmente” convidado a se sentar na mesma cadeira que se sentou Galileu Galiei.

Hoje, ele se senta em cadeiras e poltronas para dar entrevistas, palestras e escrever seus livros. No passado, ganhou apoio de grandes sacerdotes brasileiros franciscanos como Dom Paulo Evaristo Arns e Dom Aloísio Lorscheider.

Leonardo Boff nunca foi acusado de heresia. Nunca foi excomungado da Igreja. Ele mesmo decidiu se retirar de uma função, a de padre institucionalizado, pois do jeito que a hierarquia católica ávida por poder imperial faraônico se estruturou, viu que não conseguiria tocar suficientemente bem nos corações, nem tampouco transformar as mentes dos mais pobres.

A Teologia alternativa de Leonardo Boff pode não ser perfeita, e ele mesmo reconhece que é possível haver falhas, lacunas, assim como seu irmão Clodovis Boff também reconheceu alguns equívocos. Mas foi o jeito que ele, Leonardo, encontrou para incomodar os soberbos herdeiros do Império Romano, os lobos vestidos de cristãos, os joios se passando por trigo, a fim de que reassumissem o sonho de Jesus, voltando a dar maior ênfase ao Reino de Deus.

Aos mais sensíveis, Leonardo Boff facilmente é compreendido e aceito como autêntico e corajoso cristão. Todas as vezes que ele se veste de vermelho, tal cor é interpretada como símbolo do sangue de Cristo e de todos os santos e mártires - sangue derramado pela humanidade.

Aos cegos e enrijecidos, Leonardo sempre será considerado um traidor mentiroso, herege maldito, inimigo da Igreja, e todas as vezes que ele vestir trajes vermelhos, será uma direta alusão ao comunismo marxista.

Quem tem mais razão?

Somente Deus sabe em plenitude...

 

Autor: Nicola Archangello

 

 

Endereço para você poder assistir a entrevista:

https://www.youtube.com/watch?v=TJNNcGiaWb4


COLUNISTA
Coluna de Fé: Jesus Cristo Salvador Autor: Nicola Archangello


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