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Guaxupé, 22 de junho de 2021


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SAUDOSAS LEMBRANÇAS

Publicado sexta, 12 de julho de 2019





Guardo de Dom Inácio saudosas lembranças, o bispo velhinho, de barba branca e de batina marrom .

No início da década de 1960, Guaxupé era uma cidade pequena, o tempo passava mais lento e as pessoas, na sua grande maioria, se deslocavam a pé pela cidade e todos se conheciam.

Mesmo no seu alto cargo de bispo diocesano, Dom Inácio não deixava de ser simples, humilde e se deslocava a pé por toda a cidade, visitando seus diocesanos, indo de casa em casa, principalmente onde havia um enfermo ou um idoso.

Guardo na memória desde a mais tenra idade, as lembranças das visitas que Dom Inácio fazia a meu avô materno, Francisco Savério Remédio; Meu avô com a idade avançada, e já enfermo, não tinha condições de sair de casa, porém Dom Inácio visitava-o com certa frequência.

Ficaram gravadas na minha memória a cena de “Seu Chico Remédio”, com um cobertor nas costas, sentado na cabeceira da mesa e Dom Inácio sempre sentado na mesma posição da mesa, do lado esquerdo.

Na minha mente de criança, eu não tinha condições de distinguir a grande luz que brotava daquele Santo que vivia entre nós. De Dom Inácio irradiava algo inexplicável para a mente de uma criança entender. Era algo sublime, era um imã que atraia as crianças, os jovens, os adultos, enfim a todos que dele se aproximassem. Só mais tarde é que pude entender que aquilo que emanava de Dom Inácio era a sua proximidade com Deus, pois o seu espírito já se encontrava num plano muito mais elevado que o nosso.

Em janeiro de 1963, Dom Inácio teve a perna esquerda amputada. Quando soube da notícia, logo imaginei que não mais seria possível Dom Inácio visitar meu avô. Na minha mente de criança seria algo incompreensível, “se ele andava a pé, como ele viria do Palácio até a casa de meu avô, na Rua D’Aparecida, com uma perna só?”

Meu avô faleceu em 3 de abril de 1963 e Dom Inácio em 29 de maio daquele ano.

Me recordo, com perfeição, do velório de Dom Inácio na Capela de Nossa Senhora Aparecida. A Praça Dr. Francisco Lessa ficou tomada por uma multidão silenciosa, que vinha se despedir do enviado de Deus na Terra.

O esquife, com o corpo, foi colocado no centro da capela. As pessoas, em fila, entravam pela porta principal, passavam junto do esquife e saiam pela porta lateral.

Em junho daquele ano adquiri uma hepatite, ocasião em que fiquei gravemente enfermo. Naquele tempo os recursos da medicina eram escassos, porém me lembro que uma das irmãs do Padre Jerônimo Mancini, moradora na Rua do Taboão, arrumou uma relíquia contendo uma pequena parte da batina de Dom Inácio. Minha mãe prendeu aquela relíquia na minha roupa e, milagrosamente, fui curado.

Dr. Mário Ribeiro do Valle, médico que me assistiu na época, ficou admirado e perplexo com o meu restabelecimento diante da gravidade do quadro clínico, e a recuperação em tão curto espaço de tempo.

 

 

                Fazenda da Fortaleza, São Sebastião do Paraiso, 31 de julho de 2010

 

                                                                         Wilson Remédio Ferraz




Mais D. Inácio


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